Nunca conversei com as minhas fontes na indústria de perfumaria sobre alguma suposta dificuldade em agregar e estabilizar a nota de café nas fórmulas de fine fragrance.
Digo isso porque nas muitas fragrâncias que conheci com o tema, sempre houve dois cenários: a nota de café era incipiente e, naturalmente, efêmera ou me deixava com a sensação de ter derrubado uma imensa xícara do mais intenso café na minha camisa. Nada disso depõe contra ou questiona a qualidade das fragrâncias, mas sempre me foi uma observação intrusiva.
Há cerca de cinco anos, a L'Occitane au Brésil nos apresentou Café Verde, uma fragrância que causou alguma espécie ao introduzir o inusitado acorde de mucilagem, o néctar do café verde, de fato, ao nosso portifólio olfativo, em vez de trazer a nota de café torrado, ou de cafeteria.
No ano passado, foi a vez de Café Verde Safra, que trouxe os grãos de café num outro momento do processo, já maduro, na secagem, sem passar pela torra. Ainda assim, muito mais próximo do cafezinho que todos nós conhecemos na perfumaria.
E agora, é a vez de Café Espresso, uma criação maravilhosa de Carmita Magalhães, da Firmenich – que a L'Occitane au Brésil afirma entregar um blend de quatro tipos diferentes de café!
Já na abertura, apesar do frescor cítrico de limões e aromático da sálvia – eu também sinto um sopro aquático, muito rápido, coisa de segundos – é possível sentir a presença do rei, o café!
Presença que se intensifica e nos ajuda a perceber a torra clara, a moagem fina e, finalmente, o espresso sendo tirado com maestria. Artemísia e, sobretudo, o cardamomo, temperam essa bebida, digo, fragrância com muito requinte. Na base, o acorde cappuccino e a nota de âmbar conferem alguma cremosidade e muito conforto.
Fechando o que eu havia dito no início, Café Espresso entrega, de fato, a nota de café, como nós nos habituamos a sentir, em maior ou menor intensidade, ao longo de toda sua evolução, sem nunca soar caricato, exagerado. É elegância pura!


