Sempre que me deparo com uma fragrância que traz em sua construção a nota de coco, eu tendo a criar alguma resistência. Meu preconceito – assumo que o seja –, não se dá pelo olfativo, necessariamente, mas esta é outra história.
O fato é que, cada vez mais, o coco tem surgido nos mais variados lançamentos, ultimamente. Segundo o banco de dados do Fragrantica – o maior portal sobre perfumes do mundo –, apenas neste primeiro semestre de 2024, chegaram ao mercado quase uma centena de fragrâncias com a presença da nota de coco.
Sempre bastante cremoso, lactônico e, muitas vezes, adoçado em excesso, "gordo" mesmo, o coco faz a alegria de muita gente! O que, imagino, ajude a explicar sua presença cada vez maior nas fragrâncias mais recentes.
Para a minha alegria, não é assim que ele surge em Nosso Abraço, lançamento da L’Occitane au Brésil para o Dia dos Namorados. Como eu venho dizendo em algumas oportunidades, os novos "gourmands" da perfumaria são "fit"! E é assim, fitness, que Clement Gavarry, perfumista sênior da dsm-firmenich, construiu a sua nota de coco.
Nosso Abraço é, basicamente, um frutal novo gourmand amadeirado e tem o coco como a sua essência, seu coração. Todas as outras notas, de abertura e corpo, trabalham para que a nota de coco entre em forma, queimando suas gordurinhas e fortalecendo sua melhor característica, o conforto.
Pera, maçã, bergamota, e, sobretudo, peônia e muguet, trabalham, em alguns casos, até se anulando olfativamente para que o coco – ao lado do suave cashmeram – transmita a sensação envolvente e confortável de um abraço. O sensorial da fragrância é muito satisfatório, é bom de sentir na pele; você não fica com cheiro infantilizado de um doce de coco.
Outro ponto, para mim, muito valioso é a L'Occitane au Brésil, em vez de repetir o conceito de casal binário, lançado em 2017, optou por apresentar uma única fragrância genderless. Eu até poderia forçar um pouco a tinta da caneta e afirmar que é uma fragrância de gênero fluído, mas vou estacionar no excelente avanço do sem gênero.
Vale conhecer? Vale! Depois, me conte o que achou – mesmo se não curtir!


