Eis que o 6.9, o Dia do Sexo, cai numa sexta-feira! Isso me parece tão auspicioso... e eu não poderia ser mais explícito ao escolher o 3.17, da Amyi, para celebrar a data.
À medida que a perfumaria de nicho se "popularizou", por assim dizer, nos últimos anos, sinto que ela se perdeu um pouco. Em alguns casos, tornou-se confusa, em outros, sem sentido.
A fragrância 3.17, criada em 2022 pela talentosa Maria Fernanda Faigle, soa como um resgate da perfumaria de nicho original, onde o perfumista tem liberdade para criar sua obra de arte sem, necessariamente, se preocupar em agradar o gosto médio do consumidor – algo que vem ocorrendo cada vez mais com as marcas tradicionais de nicho, principalmente após serem adquiridas por grandes grupos.
Muito além do tão comentado acorde de "suor pós-sexo", a fragrância de 3.17 oferece uma das experiências olfativas mais apaixonantes – ou não – que transporta você para o exato momento após o êxtase entre duas pessoas.
E fiz questão de destacar "duas pessoas" – poderiam mais, ou até apenas uma pessoa; isso não importa – porque a fragrância, embora se detenha mais nesse instante de êxtase, ela também propõe uma "preliminar", um jogo de sedução sutil, graças a um toque preciso de rosa, incrivelmente bem trabalhado.
A partir desse ponto, tudo contribui para um ambiente olfativo "quente", de corpos trêmulos e respirações ofegantes, onde a maciez do ylang-ylang, o "suor" do cominho e o toque salgado do tomilho constroem uma evolução longa – como deve ser, se é que você me entende – até que, após o clímax, as facetas animálicas da base, de caráter "sujo", nos deixem com um sorriso de satisfação e um brilho devasso no olhar!
Digo sem qualquer pudor: 3.17 é a fragrância mais sexual – sim, sexual, não sensual – da perfumaria nacional de todos os tempos. Um verdadeiro item de colecionador. Acredite em mim: é perfumaria de nicho em sua essência.


