A despeito de orientação sexual e de um ambiente familiar (paterno) ideologicamente bastante progressista, fui forjado, culturalmente, por uma sociedade heteronormativa também quanto aos perfumes.
De lá pra cá, algumas mudanças. Primeiro a ideia, já em desuso, de perfumes unissex. Depois, um ajuste e chegaram os perfumes compartilháveis. Em ambos os casos, a ideia de sexualidade binária. Era preciso mais. Um conceito livre de gênero, genderless.
Houve algumas tentativas na perfumaria nacional. As fragrâncias, na prática, traziam incutida a ideia binária e limitante de um perfume que atendia a homens ou mulheres, homo ou heterossexuais apenas.
Genderless é mais que isso. Ou menos. Porque chega antes da etiquetinha cultural de identidade e/ou orientação sexual. Genderless é pra gente. Independentemente de quem seja.
Nasci ouvindo falarem de “conflito de gerações” mas aquariano nascido no ano de estreia de Jesus Cristo Superstar, na Broadway, eu tô à pampa de conflito e acredito mais na convergência de gerações.
E assim é que, sendo Geração X, eu recebo com alegria, gratidão, orgulho e respeito uma genuína fragrância nacional genderless, Ride, da Another Place, com direção criativa de Rafael Nascimento – e desenvolvimento da Firmenich –, que é Geração Y (ou Millennials)
Ride é difícil de classificar. Um oriental amadeirado especiado, talvez? Mas e a hortelã? O leite de coco? Nada disso importa!
Ride tem uma abertura com brilho fresco de uma toranja efervescente que mais serve para trazer a sensualidade de uma pele quente à tona! Longe de parecer cosmético, o leite de coco e o couro reforçam a ideia de pele, e a hortelã, suave em segundo plano, um sopro na nuca que causa arrepio. Base quente e confortável de âmbar e madeiras.
Ride é uma segunda pele intensa, naturalmente sensual, para pessoas. Para todes. Vale conhecer? MUITO!


