Entre o lançamento de Silver Scent, de Jacques Bogart, e MYSLF, de Saint Laurent, há um intervalo de quase 20 anos. Nesse período, surgiram muitas novidades, houve grandes inovações e várias tendências se renovaram.
Em relação às fragrâncias Silver Scent e MYSLF, duas características permanecem inalteradas: o perfumista Christophe Raynaud e a presença marcante da nota de flor de laranjeira.
Silver Scent é hoje considerado uma espécie de "patinho feio" da perfumaria. No entanto, em todo o mundo, uma unidade de algum flanker da linha é vendida a cada dois minutos. Curiosamente, quem usa raramente admite, enquanto quem não usa adora criticá-la. Embora eu desconfie que uma atitude não exclua a outra...
Desde seu lançamento, MYSLF rapidamente se tornou um fenômeno nas redes sociais. Embora seja verdade que "haters gonna hate", o hype em torno dessa fragrância é (ainda) inegável!
Quando borrifo MYSLF na minha pele, imediatamente, aquelas duas décadas que citei no início revelam diferenças, olfativas, no sentido do caminho a se percorrer para atingir o objetivo, claramente, compartilhado, na inovação e apuro das técnicas de extração de alguns ingredientes, e, sobretudo, na renovação da linguagem que comunica a fragrância.
MYSLF abre com um cítrico limpo, brilhante, bonito de sentir, sem overdose de dulçor, ainda que o "mesmo" antranilato de metila (remete ao cheiro de uva) faça um aceno encabulado, meio sem jeito, mas extremamente elegante nesse sentido.
Em seguida, emerge a imponente flor de laranjeira, igualmente brilhante e limpa, mas sem sua antiga faceta animálica. Essa mudança parece, de certa forma, suavizar ou talvez ressignificar a virilidade da fragrância.
Madeiras ambaradas, incluindo o Ambrofix™ – molécula exclusiva da Givaudan –, e um tecnológico patchouli da Indonésia prolongam a sensação de frescor e conferem, já no residual, um aspecto de banho recém-tomado, de limpeza.
Na minha percepção, MYSLF é, sim, uma renovação do conceito olfativo de Silver Scent. Ao incorporar inovações tecnológicas, MYSLF entrega uma fragrância que merece ser (re)conhecida e apreciada.


