Eu fui uma criança esquisita! Desde muito cedo, eu abandonei o chamado “paladar infantil” e me satisfazia muito mais com o que não fosse excessivamente doce. Essa peculiaridade gastronômica, àquela época, se estendeu, hoje, às fragrâncias. Perfumes muito doces ou que remetem diretamente a sobremesas não me agradam.
Muito por conta disso, o marzipã é uma das guloseimas da confeitaria clássica que eu mais gosto desde sempre. A depender da origem da receita, quase não vai açúcar, ou mel. Em receitas árabes, há um toque de água de rosas que torna tudo um espetáculo.
De alguma forma, Flora Magnífica, da Granado, me lembra marzipã... Não porque amêndoa seja um dos ingredientes que compõem a sua fragrância, nada disso; mas porque marzipã é uma iguaria elegante, requintada – a despeito da simplicidade de sua receita –, que entrega uma experiência sensorial incrível. Sua maciez traz delicadeza e conforto na degustação. Olfativamente, Flora Magnífica entrega as mesmas características: elegância, requinte, "maciez", conforto.
Sua abertura traz um frescor jovial, suculento, verde, brilhante, tenro, levemente frutado, por conta de notas verdes e nectarina. No corpo, rosa e jasmim trabalham para exaltar toda a magnificência da magnólia. A sensação é a de que a maciez de suas pétalas toca a pele de forma delicada e envolvente. Um carinho capaz de provocar arrepios.
Essa maciez é reforçada, na base da fragrância, pela nota fantasia de flor-de-coco, um toque de mestre do perfumista sênior da Givaudan, Leandro Petit. Musk e sândalo confirmam o conforto substantivo de Flora Magnífica na pele.
Para finalizar, eu não poderia deixar de cumprimentar todas as mamães e pessoas que desempenham esse papel. Eu já não tenho a minha mãe, há mais de cinco anos. Contudo, todos os dias, quando me olho no espelho, lembro da Dona Judith com gratidão e amor porque ela fez de mim um ser humano melhor até o último dia de sua vida!
Obrigado, mãe, te amo eternamente!


