Vira e mexe, a gente ouve falar sobre como as fragrâncias ativam o sistema límbico que, grosso modo, poderia ser considerado como o berço das emoções e uma espécie de arquivo ou biblioteca de memórias afetivas. E, muitas vezes, isso parece tão sem sentido quanto dizer que existem mais astronautas no mundo do que perfumistas.
Estou fazendo este post porque estava verificando algumas compras que havia feito no final do ano – algumas na Black Friday – e ainda não havia testado ou dispensado a devida atenção.
Entre as aquisições está o Lilac Vegetal, um pós-barba da Pinaud. Que faz parte de um estudo paralelo que estou fazendo sobre “bay rum” – mas essa já é outra história.
Mas para falar do Lilac Vegetal, antes, eu preciso contar outra história:
Eu convivi muito pouco com o meu avô paterno. Seja porque ele fez sua passagem muito cedo, enquanto eu ainda era moleque, seja porque ele era o marido da minha avó, que, bem, não era uma das melhores pessoas para se conviver, e eu evitava sempre que possível.
O fato é que eu não tinha memórias com o meu avô. No máximo, que ele era um carpinteiro aposentado e que tinha uma pequena oficina numa edícula, no fundo do quintal – e que ela cheirava a serragem.
Quando eu cheirei o Lilac Vegetal, houve uma espécie de epifania! Era o cheiro do meu avô – embora eu simplesmente não me lembrasse dele. E com isso, uma sequência de memórias afetivas: os brinquedos que ele fazia na oficina, o meu primeiro pião de madeira, o carinho dele me ensinando como brincar e o cuidado para que eu não me machucasse… Foi emocionante! E eu quis compartilhar a ação do sistema límbico, na prática, com você!
Lilac Vegetal é um pós-barba das antigas, com muito álcool, estrutura de colônia e um tempo de vida fugaz. Funcional apenas.
Ainda assim, com o cheiro do vô Euclides – obrigado pelo pião, vô! O lilás aqui aparece esverdeado, um pouco aromático e até com um toque leve de citricidade amadeirada, há um tom floral que lembra gerânio, alguma doçura e musk.
Bom demais ter resgatado essas memórias afetiva e olfativa!


