Puro vício: Bouquet Lilas – Condé Parfum
Não está sendo diferente com Bouquet Lilas que está sendo oficialmente lançado hoje e é absolutamente adictivo!
A marca o apresenta como um floral frutal que, teoricamente, está perfeito. Mas, no olfato, na pele – na minha – a história muda de figura e Bouquet Lilas traz muito mais nuances, o que me faz sentir uma dificuldade danada em classificar a fragrância.
As frutas (pitanga, pera, maçã e ameixa) estão aqui, é verdade, "mas em composição cubista", como diria Caetano na voz de Gal, com peônia, lavanda, ciclame e frésia, a coisa toda vira uma espécie de jam session olfativa alla Thelonious Monk, ainda em Caetano.
O que eu quero dizer é que essa amalgama parece, na verdade, criar uma passarela para que gardênia e magnólia, juntas, surjam numa estrutura contraditoriamente leve e intensa. Leve no sentido de estarem despidas da opulência histriônica característica dos florais brancos e intensa quando ao poder altamente narcótico, envolvente e sedutor, como um canto de sereia.
Isso tudo pode soar muito feminino, no sentido de como fomos condicionados a relacionar flores exclusivamente ao universo das fragrâncias femininas; mas esse é mais um dos paradigmas que a perfumaria indie busca combater mais incisivamente e me parece ser o que a Condé Parfum faz aqui.
Talvez por conta dos toques de lavanda e violeta, talvez por conta da base amadeirada com fava tonka (mais licorosa, amendoada do que abaunilhada), sândalo, cedro e musk. Talvez, sobretudo, porque eu simplesmente esteja me deixando levar adicção que Bouquet Lilas provoca e pouco me importando com rótulos e convenções.
Estou testando na pele há apenas dois dias, o que não é o suficiente para avaliar desempenho. Mas eu arriscaria dizer, dissipação moderada, com boa presença, e duração em torno de oito horas, o que me parece perfeito. E mesmo o residual é incrível.
Recomendo vivamente você buscar conhecer!


