Resumão da minha visita à edição de 10 anos da in-cosmetics Latin America
O que o principal evento de matérias-primas para cosméticos da América Latina apresentou para o segmento de fine-fragrance
Nos dias 25 e 26 de setembro, a in-cosmetics Latin America, o principal evento de matérias-primas para cosméticos da América Latina, celebrou sua décima edição, sempre visando trazer inovações para a indústria. Mas, o que é a in-cosmetics Latin America?
Sendo o maior evento de matérias-primas para cosméticos da região, a in-cosmetics Latin America conecta os principais fornecedores de ingredientes, fragrâncias, equipamentos de laboratório, testes e soluções regulatórias de todo o mundo com os fabricantes de cosméticos da América Latina.
A feira continua a atrair milhares de fabricantes de produtos de beleza e cuidados pessoais de toda a região, que a visitam em busca de novos ingredientes e inovações oferecidos por fornecedores internacionais, muitas vezes indisponíveis em outros eventos da área.
Como meu foco de atenção está no segmento de fragrâncias, especialmente no mercado de fine fragrance, apresento a seguir um panorama do que observei ao visitar os stands das casas de fragrâncias que atuam no Brasil.
Não posso deixar de destacar outra efeméride importante: a comemoração dos 20 anos da Vollmens Fragrances, uma das principais casas de fragrâncias brasileiras, que tem movimentado bastante o mercado nacional. Aproveito para registrar meus cumprimentos aos irmãos Nestor e Rinaldo Mendes, co-fundadores da Vollmens.
Dois pontos me chamaram a atenção e um, especificamente, se destacou bastante:
1. Baunilha e pistache
Após dominar o paladar das pessoas, parece que chegou a vez de o pistache conquistar também o olfato dos consumidores. Essa é a aposta da Aromaty Fragrances, Ginger Fragrance Design e Oak Fragrances – esta última se destacando bastante no segmento de perfumaria de ambiente.
Mesmo após quase três décadas encantando o público – eu sou uma exceção! –, ao que tudo indica, de acordo com Ilias Ermenidis, principal perfumer da dsm-firmenich, os gourmands estão longe de perder o protagonismo, ou pelo menos, sua presença constante. Pelo contrário, ainda que em versões menos adocicadas, a baunilha já registra um aumento considerável nos lançamentos recentes. Esse ingrediente também esteve presente, com maior ou menor sutileza, em várias criações apresentadas na in-cosmetics Latin America.
2. Neurociência
Embora já seja estudada seriamente pela indústria de fragrâncias há mais de 30 ou 40 anos, foi basicamente após a pandemia de Covid-19 que começaram a surgir fragrâncias no mercado com o claim de uso da neurociência em suas formulações.
Esse tema pode suscitar – e, de fato, provoca – inúmeras discussões e questionamentos. Não pretendo levantar nenhum deles aqui, mas o fato é que quase todas as casas de fragrâncias que visitei na in-cosmetics Latin America mencionaram o uso de neurociência em suas criações. Gostaria de fazer um adendo pessoal, com base na minha experiência, empírica, anterior com fragrâncias que alegam utilizar atributos de neurociência:
Ao longo da minha vida – que já não é tão curta assim – tive algumas experiências, superficiais, é verdade, com florais de Bach, aromaterapia e outras chamadas terapias alternativas. Nesse período, colhi percepções e opiniões de pessoas que, assim como eu, não têm formação na área. Dois pontos se destacam, como descrevo a seguir:
Descrença total (e inegociável): Existem pessoas que simplesmente ignoram os estudos e a ciência, não acreditando – como se fosse uma questão de fé – nos atributos ou benefícios que, supostamente, a neurociência pode trazer à perfumaria.
Desconhecimento: Entre aqueles dispostos a experimentar ou serem convencidos dos benefícios da neurociência em fragrâncias, muitos esperam que os resultados aconteçam automaticamente, como se um botão fosse acionado.
Em ambos os casos, percebo uma carência de orientação ao consumidor, ajudando-o a entender como esse processo funciona. Caso contrário, o desconhecimento pode gerar frustração, que, por sua vez, leva à descrença total.
Como exemplo, cito outra situação igualmente frustrante:
De nada adianta uma marca lançar um perfume com um storytelling mirabolante, mencionando um método de extração – que já existe há 50 anos – como inovador, e no final entregar uma fragrância que é mais uma variação do Le Beau, de Jean Paul Gaultier.
Da mesma forma, não faz sentido citar anos de estudos em neurociência, listar todos os benefícios que podem ser alcançados, e depois entregar uma fragrância que cheira a Good Girl, de Carolina Herrera, ou qualquer outra já conhecida que não tenha o claim de neurociência... “Por que este ‘perfume’ com neurociência cheira igual a este outro, que não tem neurociência?” é uma questão válida do consumidor, imagino.
Dito isso, quero destacar duas casas de fragrâncias que, na minha opinião, conseguiram integrar a neurociência em suas criações de maneira que o olfativo corroborasse realmente o storytelling.
Capuani do Brasil
Em um stand que transmitia claramente a ideia de tecnologia e ciência, a Capuani, com o aval e colaboração de Renata Ashcar – autoridade em perfumaria no Brasil – e Luciene Ricciotti – especialista em marketing sensorial aplicado à perfumaria –, seguiu uma abordagem mais conservadora ao optar por conceitos olfativos já consolidados pela aromaterapia. Na minha opinião, essa escolha foi acertada, pois a apresentação mostrou coesão entre o conteúdo, muito bem explicado, até de forma didática, pelo gerente de marketing da casa, Victor Tenório, e as fragrâncias oferecidas. Tudo estava em harmonia, facilitando a compreensão e tornando a experiência muito mais agradável.
Takasago Internacional
Por outro lado, a tradicional e centenária multinacional japonesa Takasago optou por romper com o conservadorismo e explorar caminhos olfativos que, de certa forma, desafiam os princípios estabelecidos pela aromaterapia: nada de lavanda para acalmar ou cítricos como estimulantes. O resultado, para mim, foi surpreendente e, de tudo o que conheci na in-cosmetics Latin America sobre o tema da neurociência na perfumaria, foi o que mais me envolveu e traduziu a mensagem de forma adequada, sem recorrer a um storytelling “pirotécnico”.
Antes de encerrar, gostaria de mencionar duas casas de fragrâncias pelas quais também tenho um carinho especial.
Summit Cosmetics Latam
A Summit Cosmetics Latam, que "estreou" na in-cosmetics Latin America após a formalização de sua aquisição pelo Grupo Sumitomo de Personal Care, celebrou a novidade oferecendo um "brinde olfativo" aos seus visitantes. Com uma equipe sempre muito gentil e prestativa, tornou-se um dos stands mais agradáveis de visitar.
Dierberger Fragrâncias
Baseada em três pilares fundamentais – Origem, Tecnologia e Futuro –, a Dierberger apresentou na in-cosmetics Latin America não apenas suas fragrâncias, mas também sua história, seu Legado, construído ao longo de mais de 130 anos de existência.
A in-cosmetics Latin America é um dos eventos do setor que mais tem despertado minha atenção, não só pela oportunidade de aprendizado, mas também como uma excelente fonte de atualização sobre o momento e as tendências do mercado de fragrâncias no Brasil. Já estou ansioso pela próxima edição no ano que vem.






